Aos 82 anos, morre padre acusado de abuso sexual contra 9 garotos em SP

Padre Dé foi condenado a 60 anos de prisão, mas aguardava recurso no STJ. Ele teve o nome citado entre casos mundiais de pedofilia no filme ‘Spotlight’.

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Morreu nesta quinta-feira (14), aos 82 anos, o padre José Afonso Dé, acusado de abusar sexualmente de nove adolescentes, entre 2009 e 2010, em Franca (SP). Ele fazia tratamento contra um câncer de próstata e estava internado na Santa Casa da cidade há 33 dias.

Em 2011, o sacerdote chegou a ser condenado pela 2ª Vara Criminal de Franca a 60 anos e oito meses de prisão pelas acusações de estupro e atentado violento ao pudor. Ele recorreu em liberdade e foi absolvido de sete casos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O advogado José Chiachiri Neto explicou que, mais uma vez, o pároco foi autorizado a recorrer da setença em liberdade. As últimas duas acusações contra ele estavam em julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília (DF).

Padre Dé, como era conhecido, chegou a ter o nome citado entre os sacerdotes acusados de pedofilia, exibida no filme “Spotlight – Segredos Revelados”. A chamada “lista da vergonha” surge antes dos créditos finais do longa, que ganhou Oscar de melhor filme em 2016.

Morte
Mesmo lutando contra um câncer de próstata, o pároco mantinha orientações aos fieis em sua casa. A Diocese de Franca informou que ele havia sido afastado de celebrações públicas, após as denúncias de pedofilia, mas jamais foi desligado da igreja católica.

Chiachiri Neto afirmou que o padre foi diagnosticado com pneumonia no mês passado. Após ser internado na Santa Casa, teve ainda infecção urinária, entrou em coma e morreu na tarde desta quinta-feira. O velório será realizado na Capela São Francisco.

Mesmo lutando contra um câncer de próstata, Padre Dé orientava fieis em casa.

Denúncias
O processo contra o padre Dé foi ajuizado em março de 2010, após denúncia anônima feita ao Conselho Tutelar de Franca dar origem a um inquérito na Delegacia de Defesa da Mulher da cidade.

O denunciante havia dito que o sacerdote molestava adolescentes na sacristia da igreja onde celebrava missas e na própria casa dele. Os meninos relataram terem sido beijados e acariciados nos órgãos sexuais.

O padre foi afastado das funções pelo então bispo de Franca, Dom Pedro Luís Stringhini. Durante a apuração, 31 pessoas foram ouvidas, entre o acusado, as vítimas, mães dos garotos e testemunhas.

Segundo o advogado do padre, entre todos os adolescentes que apresentaram denúncias, oito entraram com ação e foram arrolados em um único processo. Um nona denúncia ficou fora do entendimento de crime.

g1.globo.com

14/07/16