Cientistas americanos restabelecem visão de ratos cegos

Pesquisadores restauraram parcialmente a visão dos roedores por meio de uma proteína chama mTOR, que regula o crescimento celular

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Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, conseguiram regenerar os nervos óticos danificados de ratos de laboratório, restaurando parcialmente a visão dos roedores. As informações são do site Ifl Science .

Até então, presumia-se que, uma vez destruídos, os ramos de ligação das células nervosas, conhecidas como axônios, que é uma parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos, não poderiam se regenerar. No entanto, recentes pesquisas têm mostrado que o aumento da atividade de uma proteína chamada mTOR, que regula o crescimento celular, pode estimular os axônios e repará-los parcialmente, embora não o suficiente para voltar a ligar ao sistema nervoso central e restaurar completamente a visão.

Cientista espera aperfeiçoar técnica, a fim de criar novos tratamentos para os humanos

Usando isso como ponto de partida, os autores do estudo utilizaram ratos geneticamente modificados em laboratório para produzir níveis elevados de mTOR nas células da retina, antes do esmagamento do nervo ótico de um dos olhos. Depois, ao longo de três semana, os roedores passaram grande parte do tempo em gaiolas, assistindo projeções de linhas pretas se movendo.

No final deste período, os investigadores descobriram que os axônios do nervo ótico foram parcialmente recuperados, sugerindo que a estimulação repetida, combinada com a regulação positiva do mTOR, de fato, pode causar algum grau de regeneração.

Em uma tentativa de aprimorar a pesquisa, os cientistas estão repetindo o experimento, mas, desta vez, taparam os olhos bons dos roedores, forçando-os a enxergar apenas com os danificados.

Em um artigo publicado na revista Nature Neuroscience , os autores explicaram que os axônios foram capazes de se reconectar a seus locais de destinos apropriados no cérebro, evitando o “caminho incorreto”, o que sugere que “eles se lembram para onde devem ir quando se desenvolvem”.

Para testar os efeitos da regeneração, os investigadores submeteram os ratos a uma série de testes de visão e descobriram que eles foram capazes de detectar objetos em movimentos e próximos a eles. No entanto, os animais não foram tão bem nas provas destinadas a avaliar sua percepção de profundidade, o que sugere que seus nervos óticos podem não ter se recuperado o suficiente para chegar a certas áreas do cérebro.

Mesmo assim, Andrew Huberman, um dos autores do estudo, disse, em um comunicado, que a pesquisa apresentou uma “evolução notável” e espera aperfeiçoar a técnica, a fim de criar novos tratamentos para os humanos.

noticias.terra.com.br

13/07/16