Falta de prevenção e cuidados ainda vitimam hipertensos em Alagoas

Maioria dos casos de AVC, infarto e clínicos no HGE envolve pacientes com pressão arterial alta

Assistido pela equipe médica do HGE, Laurentino foi submetido a eletrocardiograma, cateterismo, angioplastia, medicamentos e exames de rotina para estabilizar a pressão arterial.
Assistido pela equipe médica do HGE, Laurentino foi submetido a eletrocardiograma, cateterismo, angioplastia, medicamentos e exames de rotina para estabilizar a pressão arterial.

Silenciosa. Essa é uma das características mais marcantes da hipertensão, fácil de encontrar entre os pacientes com problemas cardíacos, vasculares e clínicos no Hospital Geral do Estado (HGE). O problema é que essa grande maioria poderia não desenvolver a doença se buscasse a prevenção e o tratamento, evitando, assim, entre outras doenças, os riscos de sofrer um infarto agudo do miocárdio ou Acidente Vascular Cerebral (AVC).

É silenciosa porque a pressão da corrente sanguínea nos vasos pode crescer de forma imperceptível e assim prejudicar, com o tempo, o funcionamento de órgãos, como coração, rins e cérebro. Ao contrário do que muitos pensam, a hipertensão pode acometer pessoas de qualquer sexo e idade.

“Aferir a pressão arterial é uma prática feita do pediatra ao geriatra, em qualquer triagem de hospital, urgência, emergência e consultas de rotina. Se a pressão estiver acima de 12×8 [120/80 mmHg] já pode ser um indicativo da doença, que é diagnosticada após a realização de outras medições que comprovem essa constância”, explicou a cardiologista Ecliene de Oliveira.

A frequência de dores de cabeça, dores na nuca, dores no peito, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal podem também indicar a elevação da pressão sanguínea nas artérias. Conforme a cardiologista, a maioria dos doentes possui histórico na família, mas outros fatores de risco também podem contribuir com o aparecimento da enfermidade.

“Distúrbios da tireoide ou em glândulas endocrinológicas, fumo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, estresse, abuso no consumo de sal, níveis altos de colesterol, sedentarismo, diabetes e sono inadequado ajudam no desenvolvimento da hipertensão. O envelhecimento também pode ser considerado um fator de risco, pois com o passar do tempo, nossas artérias começam a ficar envelhecidas, calcificadas, perdendo a capacidade de dilatar”, pontuou a médica da Unidade de Dor Torácica do HGE, Ecliene de Oliveira.

João Laurentino da Silva tem 67 anos, mas só descobriu ser hipertenso aos 57 durante avaliação médica de rotina na usina de açúcar que trabalhou. Se ele melhorou seus hábitos de vida? “Não mudei nada, continuei do mesmo jeito. Nem lembro a última vez que fui ao médico. Eu bebo bebidas alcoólicas, como o que eu quero e não faço nenhuma atividade física. A única coisa que eu deixei de fazer foi fumar”, respondeu ele.

Casado, com cinco filhos, netos e até bisnetos, ‘seu João’ teve um infarto e foi atendido na UDT, especializada em problemas cardíacos no HGE. “Eu senti uma forte dor no peito, mas antes já vinha sentindo algumas dores de cabeça, o que me fez ter mais cautela na alimentação nos últimos dias. Porém, foi tarde demais e não consegui evitar o ataque cardíaco. Fui socorrido e trazido ao HGE, onde estou sendo bem atendido”, disse.

Assistido pela equipe médica do HGE, Laurentino foi submetido a eletrocardiograma, cateterismo, angioplastia, medicamentos e exames de rotina para estabilizar a pressão arterial. “Eu cheguei aqui com 15×9 [150/90 mmHg], me sentindo muito mal”, afirmou ele a cardiologista Ecliene de Oliveira.

Thalysson Alves – Agência Alagoas