Joalherias de luxo serão investigadas por lavagem de dinheiro

Joalherias de luxo serão investigadas por lavagem de dinheiro

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A Polícia Federal e o Ministério Público vão dar sequência a uma investigação de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-governador Sérgio Cabral e sua mulher, Adriana Ancelmo, que colocou no foco algumas das mais renomadas joalherias do país. Após a deflagração da Operação Calicute, em 17 de novembro passado, os investigadores descobriram que as compras de jóias em lojas como H. Stern e Antonio Bernardo – somando mais de 6,5 milhões de reais – foram feitas com o dinheiro de propinas e os pagamentos realizados quase sempre em espécie. Na denúncia apresentada pelos procuradores, que transformou o casal e outros dez envolvidos em réus, as empresas ficaram de fora.

“Em relação à possível conivência com o esquema de lavagem de dinheiro praticado, estamos abrindo investigações que vão correr em paralelo sobre essas joalherias. Nada do que está fora dessa denúncia feita agora significa que não vai continuar sendo objeto de investigação”, afirmou o procurador Lauro Coelho Júnior, do MPF do Rio de Janeiro. “Há indícios que houve parceria e conivência das joalherias”, completou o também procurador José Augusto Vagos.

Somente na Antonio Bernardo, localizada no Shopping da Gávea, na Zona Sul da cidade, Cabral adquiriu, desde 2000, 114 jóias, totalizando mais de 3,8 milhões de reais. De acordo com o MPF, 80% das compras foram feitas no período em que governou o Rio de Janeiro (2007-2014), sempre registradas com o codinome ‘Ramos Filho’, referência a um de seus principais assessores, Pedro Ramos.

Adriana Ancelmo, que nos cadastros da empresa era “Lourdinha”, comprou 75 jóias, totalizando 853.000 reais, enquanto Carlos Miranda, assessor do ex-governador, identificado como “João Cabra”, é o comprador de 81 jóias avaliadas em 440.000 reais. Na H. Stern o esquema funcionava de maneira semelhante. Mas, 24 horas depois de Cabral foi preso, a joalheria decidiu emitir as notas fiscais.

“A Antonio Bernardo demorou a entregar os comprovantes de compras e, quando fez, não entregou a lista completa. Só quando fizemos uma outra busca e apreensão é que foi descoberto tudo, a vinculação no cadastro da loja com nomes fictícios. Este, aliás, é um elemento muito forte de lavagem”, disse o delegado Tácio Muzzi.

Nas buscas feitas pela PF no mês passado, cerca de 40 peças foram apreendidas no apartamento de Cabral, no Leblon. Ontem, a polícia voltou ao local e havia mais 100, de um total de 460 rastreadas.

A análise do esquema de lavagem de dinheiro com a compra de jóias revela também algumas excentricidades da família Cabral. Em abril de 2014, o ex-governador gastou 1 milhão de reais em espécie para comprar um conjunto de brincos e um anel de rubi em comemoração aos dez anos de casamento. Em 18 de julho de 2012, Cabral já havia desembolsado dez cheques de 100.000 reais, através da conta de Carlos Miranda, para dar à esposa, que completava 42 anos, um anel Mozart com Turmalina Paraíba, um colar Blue Paradise e um par de brincos Espeto Turmalina.

Joias que Sérgio Cabral comprou para a esposa Adriana Ancelmo são avaliadas em 1 milhão (Ministério Público Federal/Divulgação)

Lourdinha (referência ao nome da primeira dama, Adriana Lourdes Ancelmo) era uma cliente tão especial da Antonio Bernardo que, em 25 de agosto de 2008, ela deu oito cheques de 25.000 reais cada – em nome de seu escritório de advocacia – para arrematar por 200.000 reais uma peça exclusiva que levou seu nome: “Brinco Fascínio Especial – Adriana A”.

Presa ontem à tarde depois que o juiz Marcelo Bretas, na 7ª Vara Criminal Federal aceitou a denúncia do MPF, Adriana está em uma das nove celas individuais no presídio feminino Joaquim Teixeira, em Bangu. Para os procuradores, a necessidade da prisão da ex-primeira-dama, além de tudo o que já havia sido relatado, ficou comprovadamente necessária com a busca e apreensão feita em seu apartamento: “Mesmo com as contas e bens bloqueados, a PF encontrou mais de 50.000 reais. Isso mostra que eles continuam a movimentar grandes quantias em espécie”, finalizou o procurador Eduardo El-Hage.

msn

07/12/2016

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