Mônica esclarece episódio em que Dilma é avisada de conta na Suíça

Mônica esclarece episódio em que Dilma é avisada de conta na Suíça

Com o depoimento do casal marqueteiros Mônica Moura e João Santana fica esclarecido um episódio até então nebuloso: a preocupação da então presidente Dilma Rousseff com a conta bancária deles na Suíça.

Ainda em 2015, quando o empreiteiro Marcelo Odebrecht foi preso, uma mensagem identificada no celular dele causou forte apreensão no Palácio do Planalto comandado na ocasião por Dilma: “risco cta suiça chegar campanha dela”.

No delação premiada homologado esse ano pelo Supremo Tribunal Federal, Marcelo Odebrecht havia confirmado ter alertado Dilma em 2015 de que havia um risco de “contaminação” nas contas usadas pela Odebrecht para pagar João Santana no exterior, informa o G1.

Agora, a última ponta desse episódio é esclarecida por Mônica Moura. Ela conta que Marcelo Odebrecht pediu à ela que falasse com Dilma para que o governo não reconhecesse a parceria firmada pelos Ministérios Públicos do Brasil e da Suíça porque havia o risco das investigações atingirem a presidente por causa dos pagamentos feitos à João Santana no exterior.

Na ocasião, a Odebrecht fez forte ofensiva na Suíça para tentar impedir essa parceria, e num segundo momento, para evitar o repasse de provas para o Brasil. Advogados contratados pela construtora chegaram aentrar com um recurso na Justiça suíça para tentar impedir que extratos bancários de empresas e contas na Suíça controladas pela Odebrecht pudessem ser usadas pelo pela Justiça Federal no Brasil e nas investigações da Operação Lava Jato. Era uma tentativa de frear a cooperação entre os Ministérios Públicos da Suíça e do Brasil na transmissão de documentos.

Em outro trecho do depoimento, Mônica Moura revela que Marcelo Odebrecht e o ex-executivo do grupo Ernesto Baiardi pediram para que Dilma falasse com o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para que anulasse as provas enviadas pela Suíça, porque nelas havia a comprovação do pagamento de propina feito pela Odebrecht. Mônica falou com Dilma, mas a ex-presidente disse que não ia intervir.

Em nota, a assessoria de Dilma afirmou, entre outras coisas, que a ex-presidente reitera que João Santana e Mônica Moura “prestaram falso testemunho e faltaram com a verdade em seus depoimentos, provavelmente, pressionados pelas ameaças dos investigadores”.

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