Repórter da Folha é retido em aeroporto de Manchester por leitura sobre Estado Islâmico

Repórter da Folha é retido em aeroporto de Manchester por leitura sobre Estado Islâmico

Durante viagem para Manchester, no Reino Unido, um repórter da Folha de S. Paulo aproveitou as duas horas de voo para ler um livro sobre o Estado Islâmico. No entanto, a leitura do jornalista Diogo Bercito não passou despercebida e ele foi retido no aeroporto devido ao tema abordado em “The Isis Apocalypse” (“O Apocalipse do ISIS”, em tradução livre), de William McCants, publicado em 2015.

Bercito escreveu para o jornal um relato do acontecimento e contou que um passageirou ficou desconfortável com a leitura dele, diz o Extra.

“‘Soube que você estava lendo um livro. Posso ver?’, pergunta-me uma policial no controle de passaportes do aeroporto de Manchester”, contou o jornalista na matéria. Levado para uma sala de interrogatório, policiais teriam dito que, dadas as circunstâncias, o incômodo de outro passageiro era compreensível.

Com uma recomendação para não ler a obra de McCants em público, o jornalista deixou a sala, mas não sem antes ouvir dos policiais que eles sabiam quem ele era e para que empresa trabalhava. “Devolveram o passaporte, mas com um aviso: se quisessem, poderiam me manter por bastante tempo. Poderiam? Com base em quê? Ler um livro?”, indagou Bercito.

McCants é diretor do projeto sobre as relações dos EUA com o mundo islâmico, da Brookings Institution. O livro dele é referência para profissionais estudarem a ideologia por trás do Estado Islâmico, que reivindicou autoria do atentado em Manchester nesta segunda-feira. A explosão aconteceu ao final de um show da cantora pop Ariana Grande e deixou pelo menos 22 mortos e 59 feridos.

24/05/2017

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