RJ tem alta de 42% nos casos de estupro de menores neste ano

RJ tem alta de 42% nos casos de estupro de menores neste ano

Em um ano, a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) investigou pelo menos três casos de grande repercussão: dois estupros coletivos de menores, um na Zona Oeste e outro na Baixada, além de uma criança encontrada nua no carro de um coronel reformado da Polícia Militar. A repercussão dos casos fez com que crimes semelhantes fossem mais denunciados. A Polícia Civil registrou 88 casos de estupro a menores, contando também os estupros de vulnerável (vítimas menores de 14 anos), entre janeiro e 15 de maio de 2017. O número é 42 % maior do que em 2016, quando foram registrados 62 casos.

Segundo o G1, no Centro de Atendimento ao Adolescente e à Criança (Caac) dentro do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, vítimas de abuso, normalmente entre 6 e 17 anos, são ouvidas para dar detalhes sobre os casos. Carlos Olyntho, coordenador do centro, afirma não acreditar que houve um aumento quantitativo de casos:

“O que houve foi a ideia de divulgação, a ideia de as pessoas procurarem mais, denunciar mais, a partir do conhecimento de um abuso, passarem a procurar as autoridades e exigir providências”, avalia. “Nós estamos preocupados com a família, com aquilo que aquela criança sofreu, com o trauma que fica no momento do abuso. A gente tenta passar através desse trabalho essa confiabilidade, acreditando que com isso as denúncias serão cada vez maiores”.

Casos de estupro a menores em 2017

Janeiro 21
Fevereiro 19
Março 26
Abril 12
Maio (até 15/05) 10

De acordo com dados do próprio Caac, foram feitos 316 atendimentos até o dia 26 de maio de 2016. A maior parte das vítimas, segundo levantamento, é composta por meninas: 87%. O perfil de vítimas indica ainda que a idade com maior percentual de casos é aos 12 anos. “92% dos casos que atendemos são relativos a estupro ou estupro de vulnerável. E mais de 80% dos casos são de pessoas no círculo familiar”, explica Olyntho.

O atendimento no centro é feito em três partes: a recepção, onde há brinquedos e um ambiente que tenta ser acolhedor para as vítimas; a sala de ocorrências, onde o registro do crime é feito; e a sala de entrevista investigativa, onde um psicólogo atende crianças e jovens. Enquanto ele conversa com a vítima, um orientador ouve a entrevista, que também é filmada com uma câmera, e faz anotações que serão enviadas para a Justiça e o Ministério Público.

“Na recepção, a gente cria uma atmosfera lúdica para a criança ficar à vontade e perceber que a atmosfera é acolhedora para ela. A sala de entrevista é um ambiente que nós procuramos manter nenhum tipo de material que disperse a atenção da criança. As cadeiras são de uma forma lateral, para que não indique à criança uma autoridade, que uma pessoa está sobreposta a ela”, relata Olyntho.

Exceções à regra

Apesar de o centro ter como idade mínima de 6 anos e idade máxima de 17, duas vezes esse padrão foi quebrado em 2017. No dia 5 de janeiro, uma menina de apenas 5 anos, moradora de um morro no Centro do Rio, conversou com uma psicóloga após ficar internada por alguns dias no Souza Aguiar. O motivo foi o abuso cometido por um primo de sua mãe. Em trecho da entrevista, a vítima conta que “não queria mais contar” o que o primo fizera: ele foi preso em flagrante por estuprar a vítima dentro do quarto da mãe. A agressão foi tão violenta que a menina precisou passar por uma cirurgia. O caso tramita na justiça do Rio, em sigilo absoluto.

Em outro caso, já em abril deste ano, uma jovem de 18 anos foi ao Centro para confessar um segredo que guardou durante anos. Fora abusada entre os 8 e 12 anos pelo próprio pai. “Existe um tempo de 20 anos para os casos prescreverem. Ela resolveu contar o que havia ocorrido nessa época, e nós a atendemos”, explicou ele.

29/05/2017

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