Senadores de AL optam por não revelar votos no processo de impeachment

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Definida a comissão sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, o jornal Tribuna Independente procurou ouvir os senadores alagoanos sobre o procedimento em curso após aprovação na Câmara dos Deputados.

O senador Benedito de Lira (PP) disse que conversou com o presidente do partido na última segunda-feira (25), mas que ainda não decidiu o seu voto. “Vou aguardar o andamento do processo. A primeira reunião aconteceu na terça-feira e eu estou ouvindo e conversando com as pessoas. Até lá ou decido o meu posicionamento”, afirmou o senador.

De acordo com Benedito de Lira, é muito difícil que a situação de Dilma seja modificada na Casa. “É possível que haja uma admissibilidade da denúncia, porém o resultado final vai depender dos trâmites processuais”, revelou o senador que já tinha declarado ser contrário ao impeachment quando o processo estava na fase de discussões na Câmara Federal.

DEFINIÇÃO

O senador Fernando Collor (PTC) disse que viver esse momento relembra o seu processo que foi encabeçado pelo PT. “Não me sinto à vontade neste papel, até porque não carrego mágoas e, menos ainda, sentimentos de vindita. Entretanto, diante da autorização da Câmara para a instauração do processo aqui no Senado Federal, não terei alternativa”, comentou.

Collor diz que o seu voto deve ser definido com base nas comparações entre a instabilidade política porque passou o seu governo, há quase 25 anos atrás, e a grave crise institucional, política, econômica, ética e social em que se encontra o Brasil de hoje. “Considero imprudente de minha parte antecipar, neste momento, uma posição frente ao processo de impeachment em curso. Qualquer que seja minha palavra, celeumas podem ser criadas”, garantiu Fernando Collor.

Se realmente o processo for aprovado pela maioria simples dos senadores em plenário (41 de 81), a presidente será afastada do mandato por 180 dias. O presidente do Senado, o senador alagoano Renan Calheiros (PMDB) disse que a Casa não irá julgar apenas o processo político do impeachment, mas também o mérito da denúncia que pede a cassação do mandato da presidente da República, Dilma Rousseff.
Collor diz que governo não teve diálogo com Congresso Nacional

O senador Fernando Collor (PTC) que conhece de perto os efeitos do processo de impeachment se diz preocupado com o atual cenário que o país enfrenta. De acordo com ele, a situação poderia ter sido evitada se a presidente Dilma Rousseff tivesse aberto diálogo com o Congresso Nacional.

“O que hoje presenciamos é o aprofundamento de um processo de desgaste político que agora chega ao seu ápice, na forma de uma aguda crise que foi gestada e que cresceu, paulatinamente, desde o primeiro mandato do atual governo. Há tempos detectei e alertei para a falta de sincronia, de receptividade e de diálogo do Executivo com o Congresso Nacional”, analisou.

Collor diz que desde 2012 vem chamando a atenção para o esfacelamento institucional do País, para os conflitos entre os seus poderes, para o empoderamento de órgãos auxiliares, para o paradoxo da legitimidade versus credibilidade nos poderes da União e ainda assim, não o escutaram.
“O governo continuou a agir exatamente de forma isolada e inversa aos inúmeros conselhos e alertas advindos deste Congresso Nacional. Aliou-se a insensibilidade política à fragilidade de uma matriz econômica descabida e insustentável”, criticou.

Para ele, independentemente do resultado, o país precisará ser reconstruído e o governo se se reinventar. “A população não mais concordará com improviso, não mais aceitará amadorismo”, declara o senador.

Tribuna Hoje