Servidora de ministério pagou até enterro com propina, diz PF

Servidora de ministério pagou até enterro com propina, diz PF

As propinas que teriam sido pagas a Adriana Carla Floresta Feitosa, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Tocantins, podem ter servido até para pagar os custos do velório e do enterro da mãe dela. É o que apontam as investigações da Polícia Federal, de acordo com a decisão da Justiça que autorizou a operação Lucas, deflagrada nesta terça-feira (16).

A decisão foi proferida pelo juiz federal João Paulo Abe, no último dia 29 de abril. Nesta terça-feira (16) foram cumpridos 62 mandados judiciais: 10 prisões temporárias, 16 mandados de condução coercitiva e 36 mandados de busca e apreensão nos estados de Tocantins, Pará, São Paulo, Pernambuco e Distrito Federal, informa o G1.

A principal investigada é a ex-superintendente Adriana Carla Floresta Feitosa, presa durante a manhã. Segundo as investigações, ela usava dinheiro de propina para custear despesas com a faculdade de medicina dos filhos, além de viagens turísticas.

As investigações apontaram ainda para o possível pagamento de despesas do funeral da mãe dela pela empresa Frango Norte. Já a Cooperfrigu teria financiado os cursos de medicina dos filhos. O ex-marido, o marido e dois filhos dela também foram presos.

A decisão cita também que frigoríficos e laticínios usavam produtos proibidos na produção de alimentos, além de comercializar mercadorias contaminadas. Essas irregularidades, segundo o juiz, “têm sido acobertados por dirigentes da Superintendência Federal da Agricultura no Estado em troca de propina”. Porém, a decisão não especifica quais produtos teriam sido utilizados e quais alimentos foram contaminados.

São citadas na decisão as empresas Paraíso Indústria e Comércio (Frango Norte), Indústria e Comércio de Laticínios Veneza, Laticínio Fortaleza, Minerva S.A., Masterboi e a Cooperativa dos Produtores de Carne e Derivados de Gurupi (Cooperfrigu).

Durante o período investigado, entre 2010 e 2016, a PF descobriu por meio da quebra de sigilo bancário, que houve uma movimentação no valor de R$ 13 milhões em contas ligadas a superintendente e parentes. Destes, apenas R$ 3 milhões eram provenientes de remuneração salarial.

“O que excede a isso é uma movimentação de crédito sem uma origem. Boa parte dessa movimentação não identificada que chega a R$ 8 milhões é uma movimentação de origem de alguns frigoríficos ou pessoas ligadas a frigoríficos e laticínios. Houve decretação de bloqueio de bens de aproximadamente R$ 2,2 milhões do núcleo familiar da servidora porque até o momento é esse o valor que temos a certeza de que houve a locupletação pelo ilícito”, disse o superintendente da PF Arcelino Vieira.

Os pagamentos, segundo a Polícia federal, eram feitos mensalmente com valores fixos entre R$ 4 e 5 mil. Um dos frigoríficos chegou a fazer 40 depósitos na conta de Adriana Carla. Com o pagamento de propinas, as empresas supostamente conseguiam burlar fiscalizações do Ministério da Agricultura e até anular multas.

Adriana Carla prestou depoimento por cerca de 4 horas e deve passar a noite na Cadeia Feminina de Palmas. A audiência de custódia dela, quando o juiz decide se mantêm a prisão, está marcada para às 10h desta quarta-feira (17).

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi usou uma rede social para dizer que os servidores envolvidos no esquema de corrupção desarticulado pela operação Lucas serão afastados. Segundo o ele, os envolvidos serão investigados em auditoria e poderão ser exonerados.

Dos dez presos, três foram liberados. Quatro foram enviados para a Casa de Prisão Provisória de Palmas. Outras três audiências devem ser feitas nesta quarta-feira (17).

16/05/2017

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