Universitária tem cabelos cortados e carro queimado durante sequestro

cabeloA estudante de direito Simone Reis Santana, de 23 anos, foi sequestrada, teve os cabelos cortados e o carro queimado na noite de quarta-feira (8), em Cuiabá. Ela voltava da universidade, por volta de 21h, no Bairro Jardim Cuiabá, quando foi abordada por três rapazes. Eles a renderam e a abandonaram com as mãos amarradas e olhos vendados em uma estrada de terra no Distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá.
Ela registrou o boletim de ocorrência na Polícia Civil. A polícia informou que o caso já foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (Derf).

Simone contou ao G1 que voltava para casa depois de uma prova na faculdade e já estava no bairro onde reside quando notou a presença dos criminosos. Ela diminuiu a velocidade do veículo que dirigia, para passar em um quebra-molas, quando um carro branco, com três homens, se aproximou.
Segundo ela, um deles desceu armado de um veículo branco. A vítima diz acreditar que eles roubariam o carro dela e, no momento, ficou em choque, não conseguindo abrir a porta para tentar fugir. “Eles me jogaram para o banco de trás e comecei a gritar. Um deles veio para trás comigo com a arma e pediu que eu ficasse calma”, contou.
Eles a obrigaram a ficar abaixada no banco de trás do carro, enquanto estavam na cidade, mas, durante o percurso, um motociclista percebeu a situação. Simone relatou que, nesse momento, o sequestrador que dirigia o carro dela ordenou que se sentasse normalmente, por medo de ser descoberto. Ao se aproximarem do Distrito de Nossa Senhora da Guia, os homens amarraram as mãos da estudante com lacre plástico.

carroqueimado“O homem que pilotava era muito maldoso, já o que estava no banco de trás equilibrava a situação. O da frente queria amarrar as minhas mãos para trás, mas o outro não deixou”, relatou a vítima.
Segundo Simone, nenhum dos homens cobriu o rosto no momento da ação. Em uma estrada de terra, todos desceram do carro e amarraram uma blusa na cabeça da vítima. Ela foi obrigada a se deitar no chão e um dos suspeitos demonstrou interesse em agredi-la e matá-la, mas foi repreendido pelo comparsa.
Foi alguém que sabia que meu cabelo era tudo para mim e que eu só tinha o meu carro, como objeto de valor”
Simone Reis Santana, estudante de direito

“O outro disse: ‘corte o cabelo dela logo’, o que pra mim prova que isso tudo foi encomendado. Meu cabelo era longo. Foi alguém que sabia que meu cabelo era tudo para mim e que eu só tinha o meu carro, como objeto de valor”, relatou Simone.
Um dos suspeitos cortou o cabelo da vítima, na altura dos ombros, enquanto o outro ainda a ameaçava. Apavorada, Simone contou que implorava para que os suspeitos não a matassem.

“Não entendi o que estava acontecendo. Vi luzes de carros em uma estrada distante e fui naquela direção. Mas ninguém me ajudava de imediato. Um caminhoneiro mal parou na estrada e me puxou para dentro da cabine”, contou.
Depois disso, a vítima entrou em contato com a família, que a encontrou na rodoviária de Cuiabá. Simone conta que a mãe desmaiou ao vê-la. No próprio terminal de ônibus, entraram em contato com a Polícia Militar. Os policiais já tinham a informação de que um veículo com as mesmas descrições do de Simone estava pegando fogo em uma via próxima ao Distrito da Guia. A tia dela foi até o local e constatou ser o mesmo carro que tinha sido roubado.

“Meus pulsos estão machucados. Eles levaram meus livros, cadernos, anotações e agora não tenho como estudar para as provas. De qualquer forma, não tenho condições psicológicas para continuar a semana de provas”, relatou.
Além do veículo, os suspeitos levaram uma corrente de ouro e R$ 250 em dinheiro. O celular da vítima, que também tinha sido roubado, foi encontrado nas proximidades do Bairro Santa Helena, em Cuiabá.
Simone contou que ela e a família não se envolveram em nenhuma discussão ou situação que pudesse motivar alguma vingança. Mas que, pelo comportamento dos criminosos, avalia que a ação tenha sido encomendada.
A vítima e o motorista do caminhão, que a ajudou, e outras possíveis testemunhas devem ser ouvidos até o fim desta semana.
G1