Varizes são indícios de problemas vasculares, alerta médico do HG

Doença é responsável por quadros de tromboses venosas, superficiais e profundas, podendo levar a uma embolia pulmonar e até ao óbito

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Deixar de tratar as varizes pode resultar em dores, desconfortos e problemas mais graves, como aumento do risco de doenças circulatórias. Thallysson Alves

Daí aparecem uns risquinhos pretos na perna e dizem: são apenas varizes. Errado. Elas, as varizes, são as principais responsáveis por quadros de tromboses venosas, superficiais e profundas, podendo levar a uma embolia pulmonar e até ao óbito. O alerta é do médico vascular do Hospital Geral do Estado (HGE), Josué de Medeiros, que todos os dias têm atendido pacientes que chegam a desenvolver úlceras devido ao descaso na importância do tratamento.

 

As varizes são veias tortuosas, dilatadas e insuficientes, e comumente afetam as pernas e pés, isso porque ficar em pé parado ou sentado por longos períodos aumenta a pressão nas veias da parte inferior do corpo.

“A insuficiência venosa crônica é uma doença que acomete milhares de pessoas em todo o mundo, sendo responsável pelo afastamento de quatro milhões de pessoas do trabalho nos Estados Unidos. Ela tem como fator principal a perda da força das veias de bombear o sangue das pernas de volta para o coração”, informou o médico vascular.

 

A pessoa portadora de varizes poderá apresentar desde uma sensação de peso na “batata da perna” ao fim do dia até o aparecimento de úlceras que configuram o estágio mais avançado da doença. “Nesse intervalo de tempo ainda surgem veias grossas que determinam uma grave deformação estética e da saúde das pernas, manchas enegrecidas e engrossamento da pele. Para muitas pessoas, as varizes são uma preocupação puramente estética, mas não é bem assim”, descreveu Josué de Medeiros.

 

Donaria Maria de Jesus, de 83 anos, foi internada no HGE após sofrer uma Trombose Venosa Profunda (TVP), uma doença causada pela coagulação do sangue no interior das veias. Vale lembrar que a coagulação é um mecanismo de defesa do organismo.

 

“Até meus 75 anos eu trabalhei na roça. Comia de tudo e confesso que amo doces. Até que fui diagnosticada como diabética e hipertensa. Cinco anos atrás surgiu a primeira varizes, mas deixei para lá. Daí comecei a sentir dores na perna esquerda, passei a andar de bengala e o médico no posto de saúde só passava medicamentos para diminuir a dor. Até que veio uma dor muito forte, parecia que ia ‘torar’ minha perna; daí fui socorrida e trazida aqui para o HGE”, recordou Donaria, agricultora em um sítio localizado no município de Senador Rui Palmeira.

 

Deixar de tratar as varizes pode resultar em dores, desconfortos e problemas mais graves, como aumento do risco de doenças circulatórias. “Podem surgir úlceras e se não tratadas corretamente podem significar uma perda da qualidade de vida; e em estágios crônicos e avançados, a amputação do membro é única alternativa para tratamento do paciente”, pontuou o médico vascular.

 

Tratamento

Gravidez, idade avançada, excesso de peso, histórico familiar, passar muito tempo em pé, fístulas arteriovenosas, histórico de Trombose Venosa Profunda (TVP) e condições que aumentam a pressão no abdômen – tais como doenças do fígado, líquido no abdômen ou insuficiência cardíaca – são alguns fatores de risco para o desenvolvimento das varizes.

 

Conforme Josué de Medeiros, o tratamento das varizes envolvem cuidados gerais com a saúde, pressão arterial, higiene e controle do peso são essenciais. “Além destes, o uso contínuo de meias elásticas, fortalecimento muscular com exercícios específicos para músculos dos membros inferiores, hábitos saudáveis de vida e visita periódica ao angiologista e tratamento das lesões iniciais são a chave para a manutenção da saúde dos membros inferiores”, destacou.

Thallysson Alves – Agência Alagoas